| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | ||||||
| 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 |
| 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 |
| 16 | 17 | 18 | 19 | 20 | 21 | 22 |
| 23 | 24 | 25 | 26 | 27 | 28 | 29 |
| 30 |
Com limitações financeiras, é natural que a cafeicultura dos pequenos produtores seja bastante dependente do trabalho e esforço direto deles, de modo que uma das tendências é a de ocorrer simultaneamente a busca pela certificação de produção orgânica.
A Certificação Orgânica, na realidade, foi o primeiro processo de certificação formal na agricultura, sendo, hoje, o café uma de suas principais culturas.
Numa combinação de fatores, como a topografia montanhosa que não permite mecanização, e a carência de recursos financeiros, a opção pelo processo de produção orgânica se revela um caminho natural.
Na foto abaixo, Luis Adauto posa junto à sua lavoura certificada orgânica:
É muito interessante observar o entusiasmo de Luis quando ele comenta sobre o equilíbrio com a Natureza que o sistema orgânico estabelece.
Ele fez questão de nos mostrar como o solo está ricamente constituido sob ação de uma rica micro-fauna e o acúmulo de adubos naturais.
Esta filosofia está tão arraigada que, ao tirar amostras de café verde para que eu pudesse experimentar, Luis utilizou um furador feito em bambu. Meu espanto foi grande, pois o usual é o de se utilizr furadores de sacaria feitos em aço inox:
Bem, sobre os cafés dessa região, farei comentários num novo post em breve.
Outro aspecto importante dentro da Certificação Fair Trade é a verificação se o "prêmio" que os produtores recebem está sendo corretamente empregado, ou seja, se ele efetivamente está transformando as condições sociais dos produtores familiares.
Visitamos o sítio do Henrique de Oliveira, onde fomos recebidos pela sua esposa Sueli e o garoto Elton. Fomos num grupo formado por degustadores de café de torreffações norte-americanas interessados em conhecer de perto os pequenos produtores de café do Brasil.
Na foto abaixo, Sueli ladeada por Ross Gennings, à esquerda, e Christian Wolthers, grande incentivador e "embaixador" dos cafés produzidos pelos produtores familiares de Poço Fundo:
Numa confortável casa, segundo Sueli, totalmente remodelada com o "prêmio" que eles têm recebido por produzirem cafés certificados como Fair Trade e Orgânico, tivemos a oportunidade de provar um delicioso café.
O café surpreendeu a todos pelo seu intenso aroma e corpo, resultado do particular microclima da região, encravada numa cadeia montanhosa de bela formação.
Os filhos de Henrique e Sueli, além da escola formal, estudam informática numa "Sala de Inclusão Digital" junto à sede da Associação e da COOPFAM, em Poço Fundo, que fica a 10 km da propriedade.
Observe, agora, o sorriso pequeno Elton, que já sabe "navegar" muito bem pela internet....
Irresistível, não?
O Brasil é o maior produtor de café do mundo com uma produção anual média da ordem de 38 milhões de sacas de 60 kg, o que corresponde a ter uma participação em torno de 33 a 35% do mercado.
A imagem que é "vendida" no exterior é a de que o cultivo de café no Brasil está associado às grandes fazendas, de muita tecnologia e grandes produções. Lembra o perfil dos chamados "Barões do Café", agora em versão atualizada.
Por exemplo, são brasileiras algumas das maiores fazendas de café do mundo, como a Ipanema e a Monte Alegre, na região de Alfenas, Sul de Minas, ou a Boa Visa, de propriedade da empresa Daterra, em Patrocínio, Cerrado Mineiro, todas com área de produção de café próxima a média de 2.000 hectares (1hectare = 10.000 m²).
Todas são modernas empresas, aplicando o que há de melhor em tecnologia de produção, além de um exemplar gerenciamento administrativo e de estratégias de mercado.
No entanto, somente no Estado de Minas Gerais, mais de 80.000 produtores são considerados pequenos, cuja área de produção não passa de 20 hectares.
Em especial, comentarei sobre a comunidade de cafeicultores de Poço Fundo, Minas Gerais.
O município de Poço Fundo está encravado junto à uma cadeia de montanhas no Sul de Minas, próximo a Machado, e é uma pequena cidade, com suas ruas de paralelepípedos. Certamente o que chama muito a atenção é a igreja, que é pintada numa vistosa cor verde.
Sua cafeicultura tem como principal característica o fato de ser constituida por pequenos produtores. Há poucos anos, com o objetivo de se organizarem e, então, buscarem novas possibilidades de mercado, fundaram a Associação dos Agricultores Familiares de Poço Fundo e, mais recentemente, a COOPFAM, que é a cooperativa, fundada com o objetivo de realizar as operações comerciais.
Na foto abaixo, Luis Adauto, Presidente da COOPFAM, posa ao lado do símbolo de Fair Trade:
Talvez o principal projeto desenvolvido por esse grupo de pequenos produtores foi o de se prepararem para obter a certificação de Fair Trade, que significa "Mercado Justo" ou, também, "Mercado de Relacionamento".
Algumas das principais características de produtores certificados pela FLO - Fairtrade Labeling Organization, com base na Alemanha, são: todos são pequenos produtores que moram nas propriedades rurais; não empregam funcionários, trabalhando na forma de mutirão entre os membros da comunidade; os filhos obrigatoriamente estudam, devendo manter bom desempenho na escola.
Como prêmio, há uma política, entre os organismos comerciais credenciados pela FLO, de valorização dos cafés produzidos sob essa importante certificação, procurando oferecer uma contrapartida financeira aos produtores.
Outra Cafeteria no Fim do Mundo recomendável é o "Puerto Café", de propriedade de Karin Isabella.
Instalado num mini-complexo integrado por loja de artesanato, agência de viagem e lan-house, o "Puerto Café" serve o café Segafredo produzido no Brasil.
Esta é a fachada da casa:
Karin, além de muito atenciosa, preprara divinos doces com toque germânico, fazendo juz à sua ascendência. Muito recomendável é a chamada "Panqueca con Naranja", que é um finíssimo bolo de pão de ló em lâminas alternadas de um doce de casca de laranja, com cobertura de marzipan!
Perfeito com um espresso.
Sendo uma região muito fria, cuja máxima no verão raramente ultrapassa os 20°C, o ambiente do "Puerto Café" tem muita madeira, tendo como base uma árvore típica da região, a lenga.
Abaixo, uma vista da bela estante e balcão:
Punta Arenas, na Patagônia Chilena, dentro da Região de Magalhães, é a cidade continental mais ao sul do mundo. A cidade de Ushuaia, na Argentina, fica na Ilha da Terra do Fogo, enquanto que Punta Arenas está em continente.
Esta pequena cidade, ao largo do Estreito de Magalhães, fica no encontro das águas dos oceanos Atlântico e Pacífico, junto a uma miríade de ilhas.
E lá encontrei o Café Mirador del Estrecho, que fica numa colina onde é possível ver boa parte da cidade de Punta Arenas, e que tem aspecto lúdico desde a pintura das paredes.
Certamente o elemento mais curioso é que o dono do Café fincou alguns postes e colocou diversas placas indicando a distância a diversas cidades ao redor do mundo!
Foi um grande trabalho de pesquisa, pois cada seta aponta para a direção correta de cada destino estampado.
Veja, nesta foto, a seta do Rio de Janeiro: