| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | ||||||
| 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 |
| 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 |
| 16 | 17 | 18 | 19 | 20 | 21 | 22 |
| 23 | 24 | 25 | 26 | 27 | 28 | 29 |
| 30 | 31 |
Como visto no post anterior, o café solúvel, para sua produção industrial, envolve operações sofisticadas e, por isso, mesmo, trata-se de um produto com maior valor agregado.
Usualmente, são empregados grãos de café, no Brasil, da espécie Conillon, pois este possui um maior teor de sólidos solúveis, ou seja, ao se retirar a água da solução, sobram mais sólidos, além de uma boa presença de óleos, permitindo que, ao ser preparado pelo consumidor, o café tenha uma bebida cremosa.
No entanto, hoje, é possível encontrar diversas marcas de café solúvel contendo exclusivamente grãos da espécie Arabica. Estas se destacam pelo aroma e sabor mais intensos e marcantes do que os encontrados quando elaborados com grãos do Conillon.
Existem várias formas de apresentação do produto industrializado, como o pó fino, como abaixo,
ou na forma granulada.
Certamente um dos grandes trunfos do café solúvel é o fato de que sua preparação é muito fácil e prática: basta adicionar água ou outro líquido.
Até o café com leite fica muito saboroso, pois não há diluição.
Dentre os dois processos industriais, o café solúvel obtido por liofilização (desidratação a frio) conserva melhor suas qualidades sensoriais, principalmente o aroma e sabor.
O Brasil possui um importante parque industrial de café solúvel, que faz parte da pauta de exportações também.
Boa parte das indústrias se localiza no Norte do Paraná, pois ainda na década de 50, quando elas começaram a se instalar no Brasil, aquela era a região cafeeira mais importante do país.
É o caso da Cia. Cacique, que se utiliza de sua famosa marca Café Pelé para adentrar nos novos mercados internacionais:
Recomendo visitar seu website, que é o www.cafepele.com.br .
Outra empresa que também possui tecnologia de ponta e que se destaca no setor é o Cia. Iguaçu de Café Solúvel, que você pode visitar pelo website www.iguacu.com.br.
Observe em ambas o tratamento que é dado ao café: verdadeiras indústrias de alimentos!
Por fim, meu caro amigo e companheiro de viagem, Mauro Malta, Diretor-Executivo da ABICS - Associação Brasileira da Indústria do Café Solúvel, me informou que espera poder oferecer em breve um website da entidade com muitas informações aos consumidores.
Industrialmente, existem dois processos para a elaboração do café verde para atingir o consumidor final: o processo de torração normal, que tem o objetivo de oferecer o grão torrado ou torrado e moído, e o processo para produção de café solúvel.
O café solúvel possui um preparo industrial sofisticado.
Inicia-se pelo processo de torração normal, que usualmente se emprega o torrador de tambor tradicional.
Terminada a torração, é feita a elaboração da bebida, como se fosse uma grande cafeteira, porém com maior concentração. Isto tem uma forte razão.
O conceito básico da produção do café solúvel é a de oferecer um produzido desidratado.
Daí, existem dois sistemas em uso:
- Desidratação a quente de gotas micro-pulverizadas.
É o sistema denominado desidratação por "Spray Dryer". Veja sua foto abaixo:
Agora, um esquema para facilitar o seu entendimento:
É um equipamento com formato cônico, sendo que o café já concentrado entra pela parte superior, como pode ser visto acima. Ao entrar, ele passa por uma peça semelhante a uma peneira com micro-furos que gira em alta velocidade. Lembra aquele antigo processo para fazer o algodão doce...
Por baixo, é insuflado ar quente.
Imagine só: o ar quente sobe, enquanto que as micro-gotas com o café descem (afinal, são mais pesadas que o ar!) e ao se encontrar...bingo! É o suficiente para que a água seja vaporizada.
Ao final, o pó é recolhido pela parte inferior.
O outro sistema é o
- Desidratação a frio a baixa pressão.
É o sistema conhecido por liofilização.
Neste caso, foi utilizado um sofisticado conhecimento de físico-química: se uma solução em água, que é o caso do café, estiver congelada, essa água pode ser retirada com um pequeno aumento de temperatura caso a solução fique num sistema de baixíssima pressão (lembre-se do vácuo).
É um efeito obtido a partir das chamadas Condições Críticas e Super-Críticas, que envolvem a combinação de temperatura e pressão.
Neste caso em específico, a água congelada (gelinho, mesmo...) passa para o estado vapor sem passar pela fase líquida!
Veja abaixo o liofilizador:
Na realidade, trata-se de um grande congelador. Observe que os produtos a serem liofilizados ficam em bandejas, em camadas bem finas para facilitar o processo de congelamento e, depois, de liofilização.
Comentei no post anterior que, oficialmente adotado no Brasil, o volume de um saco de café contém 60 kg liquidos, ou seja só de café. O peso da sacaria conta-se em separado.
No entanto, em outros países, essa medida varia. Veja um exemplo, abaixo:
Este é um saco de café da Colômbia. Observe que o padrão colombiano é de 70 kg líquidos. Além disso, tradicionalmente, são utilizados sacos alvejados, daí sua cor mais clara.
Dessa forma, o saco de café é um grande aliado de marketing para os produtores ou exportadores, uma vez que desenhos e formas diferentes podem ser impressas na sacaria.
Esta é uma sacaria de uma fazenda de El Salvador, na América Central. Algumas informações estão estampadas, como se estivessem num rótulo de, por exemplo, uma garrafa de vinho. Dá para saber qual é a fazenda que produziu, no caso a Carmem. Apresenta, ainda, o número do lote do café e sua safra.
Existem, também, sacarias com apresentação muito simples, como este de Sumatra:
Apresenta, como se vê, apenas o essencial!
No jargão de mercado, o café cru é comumente chamado de "Café Verde".
Só que no momento de sua venda, existe um padrão de medida, que é um volume de 60 kg líquidos, em se tratando de café brasileiro, que ficam acondicionados em sacos de juta.
O café, quando está na fazenda, pode ficar guardado ensacado ou em tulhas, que são como silos de madeira, onde fica a granel. Isto é muito comum nas fazendas do Brasil, e quando em tulhas, os grãos ficam ou com casca (quando a seca foi pelo Método Natural) ou apenas uma fina película branca denominada pergaminho (quando foi seco após a retirada da casca externa).
É chamada de benefício a operação em que se retira todo o tipo de casca ou película envolvendo o grão de café.
O produto resultante é chamado de "Café Bica Corrida", pois todos os grãos, sejam perfeitos ou quebrados, de todos os tamanhos e formas, constituem um único conjunto.
Para sua comercialização final, isto é, quando segue para uma torrefação brasileira ou é destinado à exportação, realiza-se uma operação denominada "Rebenefício".
O Rebenefício é constituido de três etapas, basicamente: uma padronização por tamanho (para facilitar o processo de torração), uma padronização por densidade (que separa grãos imaturos dos maduros) e uma padronização por cores (cafés com problemas de fermentação, deteriorados ou verdes).
No caso da padronização por tamanho, usa-se como medida a chamada "Peneira". É muito comum se falar em "café com peneiras 17 e 18" ou algo similar.
Mas, afinal, o que significam esses números?
Na realidade, esses números estão relacionados com uma escala em sistema inglês que significa, por exemplo, 17/64 de polegada (1 polegada = 2,54 cm) para a Peneira 17. É o tamanho do furo da peneira.
Assim, a peneira 15, num outro exemplo, tem furos com medida 15/64 de polegada, que é aproximadamente 5,93 mm. Dessa forma, apenas os grãos com tamanho menor que 5,93 mm passam pelos furos.
Outra Cafeteria no Fim do Mundo recomendável é o "Puerto Café", de propriedade de Karin Isabella.
Instalado num mini-complexo integrado por loja de artesanato, agência de viagem e lan-house, o "Puerto Café" serve o café Segafredo produzido no Brasil.
Esta é a fachada da casa:
Karin, além de muito atenciosa, preprara divinos doces com toque germânico, fazendo juz à sua ascendência. Muito recomendável é a chamada "Panqueca con Naranja", que é um finíssimo bolo de pão de ló em lâminas alternadas de um doce de casca de laranja, com cobertura de marzipan!
Perfeito com um espresso.
Sendo uma região muito fria, cuja máxima no verão raramente ultrapassa os 20°C, o ambiente do "Puerto Café" tem muita madeira, tendo como base uma árvore típica da região, a lenga.
Abaixo, uma vista da bela estante e balcão: