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em que praça de Roma fica este imponente prédio?
Belíssimo, não é mesmo? Mas...
... nada de Roma: é em Manhumirim, Minas Gerais, sendo este o Seminário da cidade, cujos elementos arquitetônicos são claramente romanos. Por isso mesmo, poderia estar em qualquer "Piazza Romana" que se confundiria como tal...
Num outro roteiro, segui para a Fazenda Água Clara e Sítio Lago do Sonho, da Rosely Perígolo Silva. Como não poderia deixar de ser, propriedades com toque feminino e extremamente organizadas, com lavouras bem cuidadas e processos de secagem com técnica apurada. Detalhes como bordas de terreiros, uniformes dos funcionários e separação de lotes de café, nos quais, realmente, as mulheres são inigualáveis!
Do ponto mais alto da Fazenda Água Clara, a mais de 1.000 m de altitude, é possível se avistar o Pico Cristal, o mais pontiagudo no centro, um dos mais elevados da Serra do Caparaó:
Próxima Parada: Fazenda Retiro, no distrito de São Pedro do Avaí, ainda em Manhuaçu, propriedade do Ivan Lage.
Esta fazenda tem sua sede, como é tradicional, na parte mais baixa da propriedade, algo como 800 m de altitude, porém, suas lavouras, que formam uma cadeia ao redor da sede, como num teatro de arena, chegam a mais de 1.000 m de altitude. Suas principais variedades plantadas são o Mundo Novo e Catuaí Amarelo, que estão, nesta safra, com produtividade excepcional, conforme podemos ver na foto abaixo:
Finalizando esta série, veja que interessante:
Estas mobílias, que são do restaurante "Panela Grill" (pois é, eu também achei o nome exótico...), em Manhuaçu, são feitas com madeira proveniente de cafeeiros que foram cortados ou para renovação de lavoura, ou num processo de poda, para propiciar revigoramento das plantas.
A madeira do cafeeiro é usada normalmente como fonte de energia, em queimadores e fornalhas, porém, pode ser, como visto, também como material para execução de movéis rústicos.
Seguindo a Nordesde de Manhuaçu, em direção à divisa com o Estado do Espírito Santo, iniciei o roteiro por Martins Soares, município vizinho, visitando a propriedade do Celso Couto Ruback.
Celso, que é bancário aposentado, resolveu plantar café. Com seu espírito muito brincalhão, inquieto e inventivo, Celso criou uma interessante estrutura em sua pequena propriedade. Em sua sede fica toda a parte de processamento, secagem e armazenagem do café, enquanto que a lavoura fica em uma propriedade a 3 km distante.
Como no inverno há uma condensação muito grande de água à noite, Celso montou esta cobertura sobre o terreiro, porém com laterais abertas. Note que a combinação de insolação, mesmo que levemente "filtrada" pela cobertura de plástico, com ventilação e o piso em concreto promovem excelente condição para a secagem dos grãos de café.
Acima, Celso está apresentando seu sistema de identificação dos lotes de café utilizando-se simples marcações em placas de madeira, numa solução muito criativa e elegante. Dessa forma, os lotes de café produzidos por Celso têm como ser rastreados, ou seja, é possível saber em qual parte da lavoura foi produzido, quando foi colhido e seco, e assim por diante. Aliás, o conceito de rastreabilidade é um dos que os principais destinos de cafés brasileiros estão exigindo, principalmente o Japão e Europa.
Depois, seguimos para os municípios de Durandé e Lajinha, para visitar as propriedades do Mauro Heringer.
Acima, uma vista da Fazenda Santo Ângelo, vendo-se em primeiro plano as lavouras de café distribuidas pelos morros, compondo com as matas, e, ao fundo, a cordilheira do Caparaó.
Mauro, que é engenheiro civil, também processa o café, antes da secagem, através do descascamento, isto é, a casca é separada dos dois grãos internos, num processo denominada "Cereja Descacado", que é tecnologia brasileira. Como há um razoável consumo de água, e, devido à certa escassez que a propriedade do Mauro sofre, ele tem pesquisado intensamente sistemas para reciclar e processar a água resultante do processo. Seu objetivo é poder retornar a água aos córregos com o mesmo nível de pureza original.
Acima, o Pico da Bandeira com toda a sua majestade e, finalmente, sem estar encoberto pelas nuvens. . .
Um dos roteiros que fiz começava por Luisburgo, visitando a Fazenda Palmeiras, de Antônio da Costa Neto. Com uma altitude média de 900 m, as lavouras também, como é típico nesta região, ficam ao longo das escarpas, criando um mosaico muito bonito. Nessa manhã, com o céu particularmente brilhante, consegui esta vista junto a dois morros que se parecem irmãos:
Veja o interessante desenho que se obtem com as lavouras, as matas e as linhas de bananeiras e árvores da região.
Depois, seguimos para o município de Manhumirim, onde visitei, inicialmente, as fazendas da Família Werner, dirigidas pelo João Luiz, que está na foto abaixo, em frente ao "Solar dos Werner", uma quase centenária construção.
A casa está muito bem conservada e mantém diversas mobílias antigas, além de documentos e fotos, tendo, inclusive algumas da época que a Família Werner estava se instalando na região, na transição dos séculos XIX e XX.
Mas, a grande surpresa mesmo aconteceu ao conhecer a sede da Fazenda Dias, da Sra. América Segal Dias:
Projetada pelo seu marido Rubens Dias, falecido a poucos anos, e que foi engenheiro civil que participou da construção de Brasília, esta casa, com um ar moderno, tem inegável influência de Charles Jeanneret, o Le Corbusier, com as janelas em fita, o terraço jardim e a fachada livre. A casa possui elementos muito elegantes, típicos de pessoas cosmopolitas como é a família da Sra. América Segal Dias, sua proprietária.
Suas lavouras se distribuem ao largo de dois morros com faces de insolação opostas, entrecortados pela rodovia que liga Manhumirim a Manhuaçu e fazendo composição com uma exuberante reserva natural de Mata Atlântica.
Junto comigo, na visita à Fazenda Dias estavam o Sérgio D´Alessandro, o Vicente Faria, o Ari de Oliveira e o João Luiz, e que trouxeram à tona, numa interessante conversa enquanto a Sra. América nos oferecia espressos (retratada a seguir), aspectos da migração de suiços na região.
Segundo a Sra. América, que é Segal, suiços do cantão italiano, a migração desse povo até Manhumirim ocorreu em duas etapas: a primeira, na segunda metade do século XIX, quando se instalaram na região serrana do Rio de Janeiro, particularmente em Friburgo. Na transição do século, iniciaram a vinda à Manhumirim, deixando o Estado do Rio de Janeiro. Constam hoje na região as famílias como Heringer, Werner, Emmerick e Segal, entre outras.
Há também uma boa influência de italianos em Manhumirim, que comentarei a seguir.
Retornei à micro-região da Serra do Caparaó, numa das mais altas escarpas do Sudeste do Brasil e onde se localiza o Pico da Bandeira, que durante muitos anos reinou como o ponto mais alto do nosso país. Dentre os municípios dessa micro-região que produzem café, existem alguns que são muito representativos como Manhuaçu, Manhumirim, Durandé, Alto Jequitibá, Luisburgo e Alto Caparaó.
Nessa viagem, minha base foi Manhuaçu, que é considerado o principal polo de café da região tradicionalmente denominada Zona da Mata, estando presentes as principais casas exportadoras de café do Brasil. Até o passado recente, esta região era conhecida por oferecer principalmente cafés de baixa qualidade, muitos dos quais afetados por fermentação fenólica, que é causada por bactérias, e que origina a chamada bebida "Rio e Riado", como se diz no jargão de mercado.
Esse tipo de bebida apresenta aroma, digamos, medicinal, pungente e, em geral, desagradável, sendo considerada de baixa qualidade pelos especialistas. No entanto, como já disse, "o melhor" é um conceito relativo e os consumidores do Oriente Médio, nos países árabes, adoram esse tipo de aroma, bem como é muito apreciado em diversos locais no Brasil também.
Nesta foto, podem ser vistos grãos de café atacados por bactérias e que originarão o tipo de bebida que comentei. Isto acontece quando grãos meio secos, ou seja, quando não há mais concorrência de fermentação de fungos, como a acética, e que necessita que haja mais água disponível no grão. Esse ataque bacteriano é similar ao que ocorre, por exemplo, nos queijos roquefort, num caso benigno, ou quando a carne apodrece, num caso negativo extremo.
O problema é que normalmente cafés com essa característica acabam por "atacar" o estômago, criando a famosa "queimação" . Cafés que sofreram fermentação acética, que é a base do vinagre, também provocam essa sensação desagradável. Para isso, existem duas soluções: evitar esse tipo de café ou tomar "sal de frutas". . .
Recentemente, com a introdução da técnica de se descascar o café antes de se proceder à secagem dos grãos, também na região da Zona da Mata cafés de alta qualidade puderam ser mostrados ao mundo, muitos dos quais vencedores de concursos de qualidade de café.
É o caso da Sra. Ceci Maria de Faria, cuja Fazenda Santa Catarina, em Vermelho Novo, foi a vencedora do concurso Cup of Excellence Brazil 2000. Portanto, pode se dizer que, hoje, no Brasil todas as origens produzem excelentes cafés!
Abaixo estão a Sra. Ceci, ladeada pelos filhos Júlia e Vicente, este que é quem administra as propriedades da família.
Uma das propriedades localizadas num dos pontos mais elevados da micro-região, a Fazenda Bom Jardim, pertence à esta família, numa escarpa a quase 1.250 m de altitude acima do nível do mar, com direito a uma vista maravilhosa. Observe ao fundo uma formação rochosa que confere uma elegante imagem:
Ainda incipiente no Brasil, os negócios com café e seus "agregados" em alguns países envolvem números muito grandes.
Nos Estados Unidos, esse comércio é bastante sofisticado e mostra como, também, é possível desenvolver algo semelhante, por exemplo, em solo tupiniquim.
Uma das pessoas que faz um trabalho admirável nesse segmento é o Thomson Owens, de Oakland, CA, mais conhecido simplesmente por Tom Owens. Tom parece um garotão grunge e que adora "soccer", que é o nosso futebol. Conheci Tom em 2004 e, apesar de sua timidez inicial, sendo até um pouco arredio, depois que passa a lhe conhecer se mostra um "cara legal", além de adorar trilhas sonoras dos anos 70!
Tom faz parte de um seleto grupo de juízes de cafés especiais que podemos chamar de "Coffee Hunters", algo como "Caçadores de Cafés", pois participa de muitos eventos em diversas origens internacionais de café. Sua paixão, além da Maria e do futebol, também é procurar por cafés absolutamente diferentes, de alta qualidade e que possam, obviamente, fazer parte de seu catálogo de produtos.
Nesta foto, a seguir, Bruno Souza, à esquerda, Tom, com a camisa do "Galo", e eu, seu Coffee Traveler.
Tom mantém um web-site chamado Sweet Maria´s, que pode ser acessado através do endereço www.sweetmarias.com . Aí é possível ver a impressionante quantidade e diversidade de produtos que ele oferece, desde cafeteiras, moedores e xícaras, até os finíssimos cafés especiais que ele sai "à caça" pelo mundo afora.
Abaixo, uma vista do bangalô, dentro do galpão onde fica o seu depósito-loja-escritório-residência, que reflete bem o jeitão do Tom.
Com uma estrutura muito enxuta, o negócio da Sweet Maria´s é praticamente tocado por ele e sua esposa, Maria. Aliás, o nome da empresa empresta seu nome, adicionado do tratamento que Tom sempre dá a ela: Sweet Maria!
Quem conhece Maria, passa a entender o sweet (doce), pois ela passa uma vibração muito agradável. Por outro lado, ao conhecer Maria, passa-se a entender melhor porque Tom leva um ritmo de vida tão intenso, em busca de novos cafés, de novos contatos, de novos negócios...
Maria sofre de arterioesclerose e, apesar de jovem (como nós, menos de 50 anos...) já possui grande dificuldade para andar, queixando-se, muitas vezes, das dores intensas que essa doença provoca. Tom se preocupa muito com essa situação (é o amor e paixão!), e terminou sua nova casa agora em maio, fora do galpão, com muito mais conforto e facilidades para Maria. Conheça, agora, a Doce Maria:
Tom tem o controle de tudo, literalmente na ponta dos dedos, através de um bem elaborado sistema de computadores e programas, muitos dos quais ele mesmo é o autor. Para completar, comprovando a timidez do Tom, veja como é a identificação da Sweet Maria´s Office & Warehouse (escritório e depósito):
Discreto? Pois é, esse é o jeitão do Tom...